Faz tanto tempo que não escrevo que nem sei se já desaprendi!
Tanta coisa mudou! Para melhor, ou para pior? Certamente para melhor... Mas se assim foi porque me sinto eu vazia! Ou estarei tão cheia de tudo que a sensação é de vazio?
Não percebo o que me apoquenta, o que deixa a minha alma inquieta! Não sei o que fazer, e o que pensar! E até os meus sonhos atrapalham o meu viver...
Depois de tanto tempo...
Não consigo entender...
Sou feliz, mas não me sinto feliz... fará isto nexo? Mas também não me sinto infeliz, talvez, um pouco insatisfeita, insegura, insuficiente, intolerante, incapaz, intransigente, inconsciente, incompleta.
Os meus olhos cheios d'água
Seu mar vazio
Qual é o fio que nos une e nos separa?
Eu quero seu sorriso
No correr da minha hora
E não falta nada pra gente ser feliz agora
Só por você eu dei até o que eu não tive
Há tantos que vivem, sem viver um grande amor
Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços
É o que eu te peço
Somos um barco no meio da chuva
Um edifício no meio do mundo
Fortes e unidos como a imensidão
Um passeio no meio da rua
Vamos dias e noites afora
Agora podemos ver na escuridão
Só por você eu dei até o que eu não tive
Há tantos que vivem, sem viver um grande amor
Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços
É o que eu te peço
O sono não chega e fico a imaginar mil e uma coisas que já não deveriam fazer parte do meu imaginário!
Queria que estivesses aqui comigo! Mas não estás e a cama vazia não chama por mim, por isso fico para aqui a pensar no que não devo!
Sabes quantas vezes passa pela minha cabeça que este nosso amor é efémero! Quantas vezes me pergunto se nos vamos conseguir aturar!Sei que enquanto os nossos corpos e as nossas almas estiverem cheios deste imenso amor isso vai ser possível, o medo é que um de nós deixe esvaziar, deixe o sentimento esfumar...
Na realidade isto não me preocupa... Preocupa-me mais o dia a dia que enfrentamos que não nos deixa viver, que não nos deixa sermos um só, que não nos deixa desfrutar do que temos... E é tanto o que temos, o que conquistamos, o que aprendemos e partilhamos...
Não sei que tempo vai durar, embora deseje que seja para sempre, ou pelo menos até que um de nós padeça, mas sei que enquanto durar que seja sempre assim, ou melhor, porque pode melhorar... Eu posso melhorar, tu podes melhorar... Ainda podemos crescer tanto juntos, podemos nos tornar mais sábios de nós mesmos, do amor...
Sei que sentes o mesmo, sinto-o, mas às vezes, por vezes fica difícil de acreditar... Já são tantas cabeçadas que por vezes custa a crer que vai ser diferente... Por agora, e enquanto deres sentido à minha vida, fores a minha direcção, o meu tom, a minha cor, vou te amar sem medida e sem medo de estar a exagerar, porque ninguém jamais te amou... ... ... ... ... como eu!
Vejo de longe o tempo que passou... Vejo-o, e sinto agora que acabou!
São dias e dias que ficam lá trás, horas e horas passadas em vão... Ou será que não? Talvez não!
Ficou a sabedoria da espera, o saber de que, não só, tudo o que começa tem um fim mas, também, e principalmente, que todo o acabar tem um novo recomeço.
E é isso o que fica das lágrimas derramadas, das noites perdidas, das palavras gastas, do sofrimento vivido, são novos sorrisos, noites "achadas", palavras sentidas e muitos, muitos novos momentos de felicidade...
Porque é assim a vida, cair para levantar!
Será que fui feita para isto, ou estarei eu destinada a fracassar nesta minha "função"? Pergunto-me se realmente somos ou não predistinados a desenvolver este lado mais... bem não sei, este lado!
Por mais que me esforce, há coisas que não consigo entender, que não encaixam, que eu não consigo contornar. Será que tem que ser tudo como eu quero? Como diria o anúncio, "não tem, mas devia"!
Talvez esteja a exagerar, mas este impasse deita-me abaixo... Deita abaixo todas as minhas expectativas, todas as minhas esperanças, todos os meus pseudo-sonhos, todas as minhas vontades e até todas as minhas certezas e verdades...
E por outro lado revolta-me... Revolta-me a incapacidade de fazer, de saber fazer, de saber o que fazer. Revolta-me a falta de vontade, e a vontade de que tudo aconteça rapidamente... Revolta-me saber que nunca chega o que faço! Revolta-me ainda mais fazer tudo em vão!
Apetecia-me bater, bater-te, bater-lhe, bater-me...
Queria poder exprimir-me em forma de murros e pontapés, berrar e puxar os cabelos, espancar esse mundo que não desata, nem ata, que gira por ver todos os outros girarem...
Queria deixá-lo a sangrar, em ferida, com fracturas expostas, as mesmas que me são impostas e nada posso fazer para as curar... Queria revirar-lhe as entranhas e descubrir-lhe as manhas que faz para me levar... Que faz para me ter assim tão presa e exausta de não saber mais o que fazer...
Há alturas em que o meu pensamento fica tão cheio de ideias vazias que confundo o certo do errado, o justo do injusto, o que devo ou não fazer ou dizer!
Nessas alturas chego a duvidar de mim, da minha capacidade de amar, de dar, de querer... Ninguém é melhor que ninguém e eu não fujo à regra, mas pelo menos tento ser o melhor de mim... E sei que às vezes não sou e não dou o melhor de mim a todos ou a qualquer coisa, mas tenho a noção que também quando não o sou não exijo o mesmo...
Não sei bem o que é melhor, dar tudo e exijir tudo, ou deixar andar tudo!
Há alturas que é isso que apetece... mas não consigo...
Quero acreditar que a falar tudo se resolve! Quero acreditar que as palavras ditas não tenham sido em vão, que a saliva e até as lágrimas derramadas tenham provocado algum efeito...
Não quero que tudo acabe, não quero sentir de novo o sabor da perda... Quero apenas melhorar, quero que melhores, quero tornar as coisas sempre e cada vez melhores, para mim para ti, para nós...
Não me dou também ao direito de reclamar e não fazer nada, por vezes sinto que exijo demais, mas simplesmente não exijo aquilo que não te posso dar também... Por isso pede, ou até nem precisas de o fazer que estarei lá para ti... mas (e mesmo sabendo que não haveria de existir este mas!) eu também quero que estejas lá para mim, sem que te peça, sem que te chame, sem que tenha que ser o que não sou, ou fazer o que não quero, para que repares que preciso de ti!
Quero acreditar que não são em vão as palavras proferidas e os gestos repetidos, apenas para te lembrar o amor que te dedico, que nascido da dor, aprendeu a ser forte e a saber quando chega a hora de desistir...
E que essa hora nunca chegue...







"Embora lave o medo
que há do fim
a chuva apaga o fogo
que há em mim
Ouço a voz de quem
me quer tão bem
E fico a ver se a chuva
a ouvirá também..."
"Chuva -Ornatos Violeta"
Olá amor!
Às vezes é difícil estar contigo e não te dizer tudo aquilo que está dentro de mim!
É verdade que se costuma dizer que também não se deve falar de tudo, ou dizer tudo, mas há coisas que eu sinto que ficam a remoer cá por dentro, e depois não sei o que lhes hei-de fazer…
Sei que não sou a namorada perfeita (se é que ela existe!), nem física nem psicologicamente, e se com o físico (por agora) tu até aguentas, sei que se começo a exigir, ou reclamar demais talvez te canses de mim, bem mais cedo do que é esperado.
Tenho que confessar-te que ainda penso muitas vezes nele, penso porque gostava de saber se foi nisto que ele reparou a tempo, e resolveu tirar a equipa de jogo, mesmo antes dele começar…
Muitas vezes penso que arranjo problemas onde não existem, que me chateio por pouco, que sou intolerante, e no meio de toda esta confusão por vezes vêm-me à ideia que esta é a minha maneira de amar, tentar mostrar-te o que acho que não está certo, para que tudo sempre funcione…
Não te compreendo, salvo muito raras excepções as tuas atitudes são de quem tem tudo garantido, que me tem garantido. De certa forma é verdade, tens-me… é garantido! Mas até quando?
Talvez até te sufoque com as minhas tentativas de aumentar a tua garantia, ou a minha garantia de te ter sempre por perto, mas até quando eu vou querer ter-te por perto, se tu próprio não investes no que é teu? Tudo para ti é garantido!
Às vezes penso que se eu fosse um trabalho para ti, tu investirias muito mais para ganhar, para melhorar, para fazeres tudo certo para não perderes esse trabalho… acho que as relações durariam mais se cada um visse o outro como um trabalho que tem que manter a todo custo, porque se não morre de fome, e neste caso de amor…
Na lista das coisas, onde tens que dar o melhor de ti, eu não faço parte, porque estou garantida, e neste aspecto quem erra sou eu… porque para além de exigir de mais do “patronato”, estou sempre disponível, e alguém assim é facilmente substituível… Mas quando quero mudar esta parte, quando tento não estar sempre presente, quando tento colocar-me à parte e fingir que estou bem, não consigo… Chegas tu, mais uma vez eu reclamo, tu ouves, finges que é normal, fazes aquela cara de quem está a entender, a concordar, e que até tenho razão, fazes depois a cara de quem está a meditar em tudo que é dito e que talvez, quem sabe vais tentar mudar alguma coisa e no final… no final é a mesma coisa de sempre… eu chateio-me, tu ris-te, eu engulo e recrimino-me tu dizes que me amas, eu acredito e retribuo e seguimos até a garantia de um de nós acabar…
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